Amores Expressos - Museu Oscar Niemeyer - Curitiba - PR
Era manhã de outono. O vento soprava como uma brisa levemente gelada, anunciando que algo novo estava por vir. Julio era seu melhor amigo e confidente. Sabia de tudo aquilo que ela tinha passado - o relacionamento mal resolvido, os problemas em casa e a dificuldade na faculdade - e sempre que ela precisava ele atendia com prontidão e alegria. Dessa vez não foi diferente. Ela precisava de alguém para distraí-la e ele com empolgação, a levou no museu.
Pra ele aquilo estava sendo um grande desafio. Encontrá-la quase diariamente, conversar e manter aquele muro invisível que impedia um contato físico parecia sufocá-lo. E se fosse hoje o dia de derrubar aquele muro e declarar tudo aquilo que guardara a meses por trás de uma sincera amizade?
Chegando no Museu Oscar Niemeyer - sua obra arquitetônica favorita desde que chegara na cidade de Curitiba - ela deixou pra trás tudo aquilo que afligia seu coração. Permitiu que a felicidade tomasse conta e sem perceber, esqueceu todos os problemas.

Enquanto observava uma exposição que não fazia ideia de quem fosse, ela sorriu.
- Eu gosto desse. Tem cores. Como seus olhos.
Falou aquilo sem perceber o que acabara de dizer. Julio corou.
-Também gosto. Te faz sorrir.
O momento pedia um beijo que não foi dado. Divertiram-se pela exposição do Escher e terminaram sozinhos na linda e infinita curva que conduz ao 'olho' do museu.
-Estamos sozinhos aqui! - ela disse.
-Sim! O que você quer fazer?
-Vamos dançar! Vem!
-Não! Ninguém dança no museu!
-Mentira! A gente dança!
E quando ele se deu conta, estava pulando e dançando feito uma criança naquele cenário infinito. Ela sabia como convencê-lo a qualquer coisa. O perfume dela tomou conta do ambiente e ele não pode resistir. Estava decidido. Seria hoje.
Era impossível não perceber que algo estava acontecendo. Ela sentiu. E se tivesse chegado a hora de se dar uma nova chance?
-Er..Tati. Eu preciso te perguntar uma coisa.
-Não pergunte.
-O que?
-Surpreenda-me.


E sem mais palavras desperdiçadas, a brisa gelada cessou e deixou que o calor das almas aquietasse aqueles corações. E aquele beijo trouxe a resposta que ela pedia a Deus todos os dias: ela não estava sozinha.



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